quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Não tenhamos medo!

Vamos todos ter de mudar de vida. Aos mais pobres, dentro de cada país e aos países mais pobres e carenciados do planeta, terão de ser proporcionados os meios para viverem com dignidade - alimento, habitação, serviços de saúde e de educação -; àqueles que vivem na abundância, aos ricos, aos que mais têm, vai ser exigido que tenham menos.
Mas todos e cada um de nós vamos ser chamados a mudar de vida. Uma vida pautada não pelo ter sempre mais, mas por viver melhor, escolhendo modos de viver que possam conduzir, de acordo com as escolhas individuais, ao pleno e permanente desabrochamento de si.
Não tenhamos medo. Vamos todos ser convidados a optar por menos tempo de trabalho, para que todos possam ter uma ocupação, um trabalho, não só remunerante mas também gratificante e realizador.
Vamos ter de ser inventivos, criativos no plano individual, familiar e social. É esta via que conduzirá a que todos possam dispor de oportunidades para ascenderem aos níveis mais elevados das actividades humanas.
Neste novo desafio de mudança, vão existir dificuldades, para cada um e para as sociedades. Não devemos ter medo. Em todas as épocas de verdadeira mudança - de mudança civilizacional - emergem sempre dramas, dificuldades na adaptação, desafios a investimento noutros valores. Os tempos que se aproximam vão obrigar-nos a descolonizar o nosso imaginário: dos objectivos do «ter sempre mais», para o objectivo do «ser melhor», «viver melhor». Acredito que vai ser doloroso para muitos, mas não devemos ter medo. Do futuro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vária

A superação «desta crise» , que é global, civilizacional, porque multidimensional, far-se-à no quadro de um novo Paradigma Civilizacional. Os defensores do paradigma dominante, perante o carácter multidimensional da crise que nos assola, oferecem e preconizam como saída as soluções de cunho economicista. Segundo eles, a solução para o desemprego é mais do mesmo: Crescimento; a solução para a crise ambiental e ecológica reside na chamada economia do ambiente, obviamente pela tecnologia; quanto à «crise de sentido» - das pessoas, das famílias, das sociedades globais, a solução está na manga: consumo, mais consumo...
Creio que tem razão o autor do livro «A Grande Implosão». A multissecular civilização ocidental caminha a passos céleres para o seu fim.